A estética do Sim - Considerações sobre o Jovem Nietzsche
“ Ó tu que com o dardo de flama Partes o gelo de minha alma, Para que ela se lance frenemente Ao mar de sua suprema esperança: Sempre mais clara e sã, Livre na lei mais amorosa Assim exalta teus milagres, Belíssimo Janeiro .” Há, pelo menos, duas fases evidentes na vida de Nietzsche. E é também evidente que, neste caso, vida e obra são uma só coisa. Aí, a “abnegação” não possui valor algum, os grandes problemas requerem um amor à sua altura, somente o filósofo que se coloca pessoalmente ante sua filosofia é capaz de galgar raras alturas. A “impessoalidade” na filosofia é coisa para “fracotes com sangue de barata”. Pode-ser dizer então que existiram dois “nietzsches”, que talvez fossem como distintos necessários: aquele do agradecido e esbanjado Sim , e o outro, do Não transformador. Já em O Nascimento da Tragédia , ele determinava que somente como fenômeno estético a existência se justificaria. É comum haver um certo distanciamento desta obra para com as outras – ela não é aforística,...